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Há também outro aspecto não menos importante, onde o estar morto oferece mais uma grande vantagem em relação ao estar amando; a oportunidade única de experimentar a absoluta ausência de medo, porque quem está amando se alimenta exclusivamente de medo. Há o medo de perder o que se acredita ter a posse, perder o que se pensa estar sendo compartilhado em partes iguais. Por isso a obsessão dos amantes em proteger o tempo todo os amados. Some a isso, como característica dos que esperam ser supridos pelo amor, o medo da solidão que assola a todos desde o berço, o medo da separação, o medo de parar de receber a dose diária do ópio que sustenta a segurança falha e a falsa cumplicidade desse tipo de encontro. Finalmente, o que sobra entre tais medrosos, é o medo ter o objeto do desejo roubado por um outro, que se mostre melhor e mais desejável. Isso é o que faz crescer consideravelmente dentro do corpo hospedeiro, a dúvida que seca de medo o fígado dos ciumentos. No entanto, ao estar morto, paira sobre essa inexistência, o sossego de certezas que não podem mais ser removidas. Estar morto é, em fim, o fim de todos os medos, o desfrutar de um estado de graça que somente quando comparado a maldição do amor é que se passa a compreender plenamente que a danação eterna é feita do mesmo tecido vivo do estar amando.
"Se não me engano, infelizmente ainda restam mais quatro"
3 comentários:
A morte é a saída mais fácil de qualquer situação. Fato!!! Eiii, já viu meu blog de roupinha nova??? Dá uma olhada. beijos
Li a primeira vez, achei que entendi e depois não entendi. Depois li de novo, mas dessa vez li pelo avesso. Assuatador, mas sofisticado!
a morte, como o amor me remete a incerteza, vivo por ela sendo assim, amo e morro a cada vez.
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