quinta-feira, 22 de outubro de 2009


Moro em mim num espaço onde só cabe o que concebo. Moro com meus distúrbios, meus solilóquios, meus horrores estimados, minha casta lascívia, minhas paixões petrificadas, meu medo de estimação e claro, meu pau em riste, que é meu unicórnio! Habito em mim há tempos, num cômodo minúsculo, sem janelas para ventilar meus desejos, iluminado apenas pelo azul-fluorescente, pirilampeado dos meus constantes enganos.

[Minha Casa] É mais fácil cultuar os mortos que os vivos. Mais fácil viver de sombras que de sóis. É mais fácil mimeografar o passado que imprimir o futuro. Não quero ser triste como o poeta que envelhece lendo Maiakóvski na loja de conveniência. Não quero ser alegre como o cão que sai a passear com o seu dono alegre sob o sol de domingo. Nem quero ser estanque como quem constrói estradas e não anda. Quero no escuro como um cego tatear estrelas distraídas. Quero no escuro como um cego tatear estrelas distraídas. Amoras silvestres no passeio público. Amores secretos debaixo dos guarda-chuvas. Tempestades que não param. Pára-raios quem não tem, mesmo que não venha o trem, não posso parar. Vejo o mundo passar como passa uma escola de samba que atravessa! Pergunto onde estão teus tamborins? Sentado na porta de minha casa, a mesma e única casa. A casa onde eu sempre morei.
[ Zeca Baleiro ]

2 comentários:

Camilla Dias Domingues disse...

ai que bonito!
sempre levo um tapa na cara com suas postagens... as vezes suas, as vezes de outras pessoas mas mesmo assim muito bonito!

PS: espero que vc tire o tempo atrasado no meu blog e comente porque como disse gosto dos teus escritos e sempre me faz pensar!

beijos no coração, axé Odara.

Thaissa Costa disse...

Pqp q lindo! Sim, este texto merece um palavrão no final. Pq faz a gente limpar a casa. A única casa onde sempre moramos e as vezes esquecemos que é bom limpá-la, passar um aspirador e retirar tudo qto é emoção e depois preencher com tudo novamente, mesmo q seja com as mesmas, porém nos lugares certos.