segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011


Numa época anterior a fragmentação da sensação de passagem do tempo em números, quando nada ainda tinha nome, quando as civilizações não haviam sido pensadas, os humanos eram hordas peladas, soltas como crianças à mercê da natureza. Quando não havia sequer o “pensamento mágico” para inventar as palavras de explicação, o caldo químico que saltava de um neurônio ao outro numa cabeça recém homo sapiens, era pensamento abstrato, fluindo rápido, básico, desorganizado, infantil. Toda urgência era cio, fome, falo e medo. Em algum momento dessa madrugada, despertou-se uma autoconsciência que nos deu algum sentido, a linguagem nos deu parâmetros, a escrita nos deu beleza.
Tábua de argila, papiro, pergaminho, papel, ipad, oled, singularity. O registro em qualquer mídia das interpretações da realidade será sempre um jeito de desacelerar um pouco o pensamento para que possamos vê-lo.


4 comentários:

Anônimo disse...

Uau, que lindo!
Desconfio que eu tenho alguma coisa a ver com esse texto...
Que felicidade poder inspirar outras belezas da escrita! ("se é que é que" esse texto começou em outra parte como imagino). Duca!!!
Beijos

GIL ROSZA disse...

=) tem sim!

Etienne. disse...

Como eu gosto daqui...

GIL ROSZA disse...

:) Entre sempre e fique à vontade. A porta não tem tramela!