domingo, 7 de novembro de 2010

Mudança é um tema sempre recorrente no mundo blogger das ideias e provavelmente um dos papos mais pop em torno do assunto ainda seja o famigerado projeto Filtro Solar que assolou a internet no começo dos anos 2000 com um videozinho bacana narrado entre tantos, por Simone Spoladore interpretando o poema “Mude” do Edson Marques.
O final dos 90 foi mesmo o paraíso do xamanismo das palestras motivacionais que só aumentavam a culpa daqueles que acreditavam que mudar ou não era apenas uma questão de força de vontade, como se a mudança na essência, não apenas na aparência, fosse a coisa mais fácil do mundo de por em prática.
Mudar nunca foi uma solução definitiva, mas um estágio. Mudanças realmente significativas podem ser resultado de um conflitante processo anterior que levou uma vida inteira até estar completo.
Foi isso que o genial cartunista Laerte argumentou ao se revelar crossdresser numa entrevista à Folha de São Paulo. Alguns viram a coisa como uma tacada criativa de marketing para lançar a fase “trans” do personagem Hugo, já outros acharam porralouquice, viadagem mesmo.
Laerte está bem perto dos 60 anos, quem sabe tenha ficado meio de saco cheio de passar a vida toda tentando ser o que os outros queriam e ao beirar a terceira idade, decidiu com a cara e a coragem, ser o que sempre quis? Talvez seja melhor mudar para si próprio e de quebra, entender alguns porquês desta mudança, que mudar apenas para satisfazer o cruel crivo dos outros.

Muriel Total é o "blog confessionário" da Muriel/Hugo ou será do Laerte?


terça-feira, 2 de novembro de 2010

Nesta madrugada sonhei que comia a Diablo Cody numa mesa de sinuca. No veludo negro de Morfeu, isso não significa necessariamente que nos sub[metíamos] às 101 posições do kama sutra para no final extrair de todo esse esforço, míseros 30 segundos de [in]satisfação. No meu sonho, trepar com a Cody era um clipping nonsense, sonoro, colorido-psicodélico e editável, que podia ser nitidamente observado pelo movimento rápido dos meus olhos.
Havia uma imensa jukebox vermelha em chamas tocando “Maria” do Blondie. Também estava lá a Betty Page de batom carmim, corpete de vinil e salto 20 com meia dúzia de marinheiros em volta dela.
Julgando pelos arcos iluminados do aqueduto, o lugar parecia um boteco enfumaçado na Lavradio, cheio de putas e marginais da Lapa dos anos 30 que curtiam várias rodadas de pôquer com a tripulação da Enterprise.
O cara de linho branco e panamá que havia me dado um havana, alternava aparência entre Wilson Grey e Max Overseas! Ou seria Freddie Mercury? Sei lá, não lembro muita coisa, apenas que no sonho, a Diablo Cody me comia em cima duma mesa sinuca entre goles de absinto e grandes nacos de carne arrancados com dentes de porcelana. Nas costas nuas dela, duas tatoos coloridas que pareciam animadas em flash, uma era a Virgem de Gadalupe ardendo como anima sola, a outra, o Mao beijando a boca do Godzilla.