quinta-feira, 26 de maio de 2011

Agora que canções fofas destinadas a salvar corações estão na moda, lembrei de uma oração muito antiga proferida por piratas, não muito para que seus corações fossem salvos (coração de pirata não tem salvação), mas para que enquanto navegassem entre o oriente e o ocidente, não caíssem vítimas de possessões, sirenas ou dos vários tipos de pestes que dependendo da ocasião, costumavam assolar corações, até mesmo os de piratas.

Eurographics

SALVE REGINA

Sancta Regina Dulcis Mater
Rainha de todos os falsos ateus
Dos que ainda morrem por amor
Ad te Clamamus Pia Redentora
Livrai-nos dos engodos do amar
Cego de crer, lazarento de acreditar
Rogo-te Divina Celeste
Ensina-me a morrer sem lágrimas
Ou antes, mate-me sem apiedar-se
Amaldiçoe os beijos que dei em santidade
Com olhos fechados de tanto bem querer
Restaura em fogo e ferro rubro
Minha desavergonhada tara
A lascívia dos piratas e dos maus modos
Entregue-me à devassidão dos cães danados
Mantenha ereto meus desejos impuros
De genuíno Filii Hevae, canhoto e degredado
Retire à faca do peito aberto e dê aos corvos
Meu coração corsário crismado e puro
Jogue-o aos porcos como tributo
Benedicta Máxima, rogo-te!
Impeça que ele seja dado a quem professa me ter amor
Confina-me ao limbo, Doce Mãe dos Pretos Putos
Expulsa-me agora do paraíso das quase canduras!
Faça-me naufrago na escuridão, minha apostasia
Jamais permita que eu creia novamente nisto
Pois o sétimo inferno é mais doce

Junho 2009

sábado, 21 de maio de 2011

Fim de noite na ilha caribenha. Não se pode chamar apropriadamente de festa o ruidoso evento em andamento no quinto andar do Ambos Mundos. Mesmo que uma parte do que é comumente servido em festas esteja circulando livremente sobre bandejas reluzentes, a melhor definição para o que acontece neste exato momento no quarto 511 é: um encontro particular entre amigos, mas com a presença de convidados desconhecidos que não se importavam nem um pouco em receber dinheiro para estarem ali. O motivo não poderia ser mais apropriado: uma despedida. Não que alguém estivesse de partida para algum lugar distante, haveria apenas uma mudança de endereço dentro da mesma cidade. Por sete anos, o ilustre gringo velho que até esta noite, vinha ocupando o quarto, havia passado aqui, alguns dos melhores anos de sua vida, sendo que esta é a última noite dele no hotel pintado de rosa-flamingo.
Enquanto Bandeira pega seu Panamá e sai discretamente do quarto acompanhando o belo marinheiro catalão que acabara de conhecer, o velho gringo dança vacilante um tango silencioso com uma jovem nua chamada Dolores. Aproveito a distração dele para ler a capa do calhamaço datilografado em uma Hermes Cursiva preta, que estava sobre a escrivaninha. For Whom The Bell tolls, era o que aparecia centralizado em caixa alta na folha de rosto. Fiquei bastante curioso em saber quem poderia ser o merecedor da reverência do sino, mas a minha atenção começou a ser roubada por outra Dolores, uma que estava me dando entre outras coisas, um sorriso iluminado, um beijo nos lábios e um copo de absinto.

sexta-feira, 20 de maio de 2011


Por conta de algumas questões paralelas (Chico) e por estar navegando em mares nunca d´antes navegados (Facebook), abri o acesso à anônimos, mas ativei a moderação. Não gosto muito desse tipo de filtragem ou da manutenção de conteúdos fechados no Facebook ou no Twiter, mas no caso do Blog, se precisa ser assim, assim será.