sábado, 7 de maio de 2011

InMagine



































Primeiro, pensei ter ouvido um soluço, depois juntei as sílabas e o que veio audível pela segunda vez, foi um nome sussurrado_ Elisabete. Amiga de muitos anos, das festas de aniversário dos nossos filhos, das férias juntos na casa em Maricá. Então em sussurros, sem demonstrar surpresa ou reprovação, o deixei perceber que meu corpo também se alimentava daquele estímulo. O ato prosseguia sem pressa e perguntei-lhe direto no ouvido se já tinham consumado o que até ali parecia ser só um desejo. Ele jurou que não. Que tudo não passava de um tesão contido, incapaz de ir além da própria vontade. Tomei aquilo como verdade, de fato era. Depois da confissão em sussurros, começou a se sentir seguro ao perceber não haver em mim, sinal algum de desaprovação. Com isso, o nome dela sempre aos sussurros soava cada vez mais alto no quarto e a noite seguia passando brilhosamente acetinada até ter o seu fim em um sono calmo, brando e quieto.
Na manhã seguinte, à mesa posta, o café, a margarina light, a cesta de pão, a leiteira e uma paz engomada sem uma só palavra apontada como pergunta pontiaguda ou cobrança. Mais tarde, já na cama, imaginei que o nome Pedro pronunciado num sussurro, planaria leve até o ouvido dele. Confesso; jamais vi um homem tão possesso! Pulou da cama com boca espumando, acendeu a luz e aos gritos, começou a me acusar de tudo. Vestiu a primeira coisa que viu pela frente, passou a mão na chave do carro e saiu como um louco àquela hora da madrugada. Até agora não voltou.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Simplesmente não conseguimos mais viver sem moralizar a ordem natural que existe em volta. Fazemos isso usando conceitos subjetivos tais como “certo” e “errado” para supor que a natureza realmente necessita de algum propósito para existir. Para alguns, a única “função” da vida é manter genes pulsando. Sexo, fome, feromônios, garras, caninos, asas e polegares opositores, seriam apenas formas de garantir que eles se mantenham pulsantes.



Este curso que para todos os seres é uma regra, contradiz valores humanos criados como mera perfumaria para simplificar tudo como ações de um arquiteto antropomorfo que gerencia nossas atitudes tachando-as como “bem” ou “mal” o que também serve para disfarçar o forte odor dos nossos instintos. Essa visão reducionista da grande ópera feroz que nos cerca é apenas um resíduo do que foi imaginado há tantas eras pelos primeiros detentores de conhecimento humano, movidos certamente pelo medo e pela a impotência diante das manifestações naturais violentas que sempre presenciamos, buscavam tentar apaziguá-las com o sangue de sacrifícios em troca de proteção e boas colheitas.
Usando a mesma lógica xamã, falo da natureza como uma gigantesca divindade cega, surda e muda, que sem se dar conta, nos abalroa com o acaso, fazendo com que vida e morte (segundo nossos conceitos limitados) coexistam num sistema amoral randômico, onde uma não é o oposto da outra e sim parte de uma mesma coisa.

quarta-feira, 4 de maio de 2011







O que parece ser invisível aos olhos não precisa ser aceito como inexplicável, sobrenatural, além da compreensão humana ou produto da ação de anjos ou demônios!
A temerosa mente crédula, alimenta-se compulsivamente dos nossos medos mais profundos e com isso se torna facilmente convencida a curvar-se trêmula diante daquilo que ainda não conhecemos.
A mente agnóstica por sua vez é naturalmente curiosa e jamais se priva da oportunidade de buscar entender todo fenômeno como uma manifestação física da natureza,

=(OYO)=
theblackowlcult

Se conseguiu chegar até aqui, isso pode indicar não um dom especial, uma predestinação, mas um sentido aguçado para buscar enxergar coisas que estão muito além do óbvio.