sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Abandonar uma velha tendência para sublimar todo evento potencialmente sentimental que experimento, tem sido um exercício disciplinar tão extremo quanto os que são impostos a um monge tibetano para forçá-lo a abandonar o apego ao mundo material. Afinal, foram mais de trinta anos de Bossa Nova e MPB, idolatrando as filhas de Vênus. De passionalidade à moda de Vinícius e teledramas globais, devem ter sido mais de vinte e pasmem, talvez quarenta e tantos de uma entrega fanática ao sublime, aguardando o momento, postado diariamente no cadafalso do romantismo folhetinesco que, segundo estudos recentes, é tão nocivo quanto um Kent sem filtro. É muita PNL para desprogramar assim duma tacada só, mas estou confiante de que muito em breve estarei tão densamente petrificado que só poderei ser reconhecido como fóssil.




Certa manhã, um cidadão pacato, um homem comum, acorda cedo num dia igualmente comum, dia de trabalho e pouco antes de entrar no banho, para por um instante olhando o  próprio rosto vincado ainda não barbeado no espelho. Ficou pensando em como era há 20 anos, quando vivia assombrado pelas cosntatações em volta e por causa disso, perguntava a si mesmo_e se? Tal coisa era um lastro que para quase tudo na vida dele, fossem situações, pessoas, oportunidades e decisões, havia sempre um atônito _e se?_
Hoje, quando as mesmas questões surgem inesperadamente como sempre, em vez de um nefasto “e se?”, o que logo materializa é uma ninfa toda tatuada chamada carinhosamente por ele de “foda-se”.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Aspirantes, jamais se iludam.
Poeta algum tem salvação!
Como Dante e Virgílio,
Poetas só encontram o que procuram
Debaixo de sete palmos,
Sete faces,
Sete cortes,
Sete vidas,

(2010)