terça-feira, 20 de abril de 2010

Não é que o Luis tivesse muito a fim duma conversa, mas sentado ali sozinho num balcão de botequim tomando uma cervejinha àquela hora da manhã em plena quarta-feira, era quase uma falta de ética não prestar atenção quando alguém senta tão próximo e começa puxar papo. No caso do desconhecido ao lado dele, o papo começou assim bem geralzão, até passar para detalhes da vida pessoal do Luis. Coisas que ele simplesmente não havia contado nem a Deus. Cabreiro, com razão, quis saber se aquilo era alguma brincadeira, se o figura ao lado era algum vidente, um médium ou algo assim e ficou esperando uma explicação para o tal desconhecido conhecer detalhes íntimos tão precisos quanto verdadeiros da vida dele. Daí o homem olhou-o com um olhar etílico a meio mastro e perguntou se ele não tava desconfiando de nada. Luis ensaiou uma risada e respondeu_ Tu não tá querendo me dizer que você é... ! O homem riu e perguntou o porquê da dúvida, afinal que prova poderia ser melhor que aquela? Repartir as águas da Baía de Guanabara e irem andando até Niterói? Tirar o Cristo do Corcovado e botar em Copacabana?
Depois de perguntar ao estranho de qual hospício ele havia fugido, Luis lembrou-o que também tinha DVD em casa e que havia uma porrada de filmes com aquele enredinho manjado, porém, de todos, o melhor ainda era o do Cacá. Percebendo que o papo tinha zerado, num ato de camaradagem pagou as duas contas, se levantou e foi saindo. Quando já estava lá fora, pensou que por mais absurdo que aquilo tudo parecesse, melhor era não abusar, afinal, quem poderia saber?
O homem continuava lá, sentado no mesmo lugar. Luis dessa vez se aproximou bem mais reverente e perguntou_ E ai? Tem alguma bomba pra revelar sobre o fim do mundo? Alguma profecia pra humanidade? Eu vou morrer hoje né? Como será meu futuro?
E o homem, que já estava na terceira garrafa, disse_ Relaxa! Falar do futuro a essa hora da manhã é besteira, senta aqui, toma mais uma comigo, aproveita que você também não tá fazendo nada e me faz companhia um pouco!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Caetano no show Circuladô/ JOKERMAN

"So swiftly the sun sets in the sky,
You rise up and say goodbye to no one.
Fools rush in where angels fear to tread,
Both of their futures, so full of dread, you don't show one.
Shedding off one more layer of skin,
Keeping one step ahead of the persecutor within".

Bob Dylan



Jokerman! Eu preciso parar de crer, pra poder seguir em paz!

domingo, 18 de abril de 2010

Muitas vezes o pior de um problema não é o problema em si, nem as perdas e danos que talvez venham inevitavelmente com ele, mas quando fica flutuando sobre nossas cabeças, sem uma definição. Se pelo menos caísse logo e nos esmagasse ou então se subisse duma vez e desaparecesse na altitude, quem sabe assim nos libertaria desse Déjà vu maldito que teima em ficar entupindo nosso tráfego de pensamentos até quase sufocar? Esse cai-não-cai, só contribui para deixar tudo mais difícil, a presença diária duma situação crítica nos assombrando quando deveríamos estar em direção a uma nova fase de coisas. Entretanto, isso fica ali, pendendo, balançando, indefinido. Com o tempo, percebemos que está se perdendo muito mais vivendo nesse irritante stand by, que se tivesse acontecido o pior, pois o pior quando chega e defini, também encerra, abrindo inclusive, oportunidades para novas escolhas, cuidar devidamente dos ferimentos, juntar os cacos, colar o que for necessário para de alguma forma, recomeçar. Afinal, diz aí, o que pode ser pior que sentir o tempo passando e nada acontecendo, enquanto sofremos de hora em hora, por algo que não é uma coisa e nem outra, que simplesmente não se mostra nem como perda, nem como ganho?